Artigo A1 (2021-2024), em ANAIS DO MUSEU PAULISTA, da USP
Publicado em 26.1
Autora: Tamara Campos
É possível pensar em exposições com obras do passado que não contem apenas “uma história única”? Práticas de reparação podem ajudar a garantir narrativas museais mais plurais e minimizar o efeito do legado imperial ou colonial? É neste sentido que pretendemos analisar a exposição Pretagonismos no Acervo do Museu Nacional de Belas Artes, realizada no Espaço do BNDES (2024-2025), pois entendemos que a mostra permite pensarmos a partir de uma “história potencial”, como propõe Ariella Aïsha Azoulay. A história potencial não seria a história dos possíveis (e se) e nem a história dos oprimidos, mas uma história que consegue desenterrar o que vive no presente, nos escombros do desastre da colonização e escravidão. Assim, a história imperial é reduzida a apenas uma das histórias possíveis de serem contadas, e não a única. Foram feitas três visitas à exposição, além da participação em um debate com os curadores e a diretora do MNBA. Registros de fotos, vídeos e anotações em diário de campo integram o corpus de análise, assim como o catálogo da exposição. A partir do ato de rebatizar obras, rasurar e trazer retratos
de pessoas negras, especialmente nas obras presentes no eixo nas Brechas da Representação, os
curadores conseguem resgatar a potência negra que já se fazia presente no passado como uma via
alternativa, mas que resistiu como uma memória subterrânea.
Disponível em:
https://revistas.usp.br/anaismp/pt_BR/article/view/239517/222727
