Festa de Sto. Antônio | Duque de Caxias

Duque de Caxias, uma cidade em festa
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Na praça do Pacificador, o portal marca o início do território de uma festa.



A festa do Padroeiro Santo Antônio acontece em Junho, no município de Duque de Caxias, a mais de 50 anos.
Chegamos cedo ao centro de Duque de Caxias, município vizinho à capital do Rio de Janeiro. Estamos ali, no entorno da Praça do Pacificador, onde os quarteirões são dominados pelas lojas de rua de um comércio fervilhante. Neste ano, os varejistas aproveitam ao máximo o clima de Copa do Mundo de 2026.
Bem ao lado, cortando a região central da cidade, servida pelo ramal Saracuruna, passam os trilhos da SuperVia. Por aqui passam diariamente durante a semana, centenas de milhares trabalhadores e estudantes rumo à capital. Daqui a uns 20 quilômetros de chão, e 50 minutos de viagem, os trens desembocam na Central do Brasil, estação final no centro do Rio de Janeiro.

Caxias cresceu apressada nas últimas décadas, acompanhando o ritmo desenfreado da capital, recebendo desde os anos 40 levas de migrantes vindos do nordeste do Brasil. Na mala, traziam seus sonhos e também devoções. A bandeira do município exibe orgulhosa a imagem da Refinaria de Petróleo, a Reduc, que a partir dos anos 60 ajudou a colocar a cidade como o segundo PIB do estado e também a terceira região mais populosa do Rio.
Já nem é tão cedo assim, na verdade passam das 9 da manhã do sábado, nesse dia de Santo Antônio. Paramos o carro na praça, onde um portal colorido marca o início do território de uma festa. Seguimos a pé uns 300 metros pela Avenida Governador Brizola, rua principal do centro, interditada ao trânsito até a Catedral. A rua está tomada pelas barraquinhas, de um lado e de outro, e por cima carreiras de bandeirinhas coloridas juninas fazem o cenário de festa, embora neste ponto pela manhã o movimento ainda esteja meio fraco.
A festa aqui está bem organizada, e para isto conta com patrocínios e apoios que vão do governo do estado à prefeitura da cidade e as concessionárias de gás e de agua. As barraquinhas têm letreiro padrão, com o tema deste ano que coloca a bola de futebol ao lado do já tradicional desenho sorridente e animado de Santo Antônio, criado a anos pelo genial Ziraldo. Este ano, o layout alude à coincidência das festas juninas com a Copa do Mundo.
Hoje em dia, as barraquinhas destas festas, como em todo lugar, são bastante comerciais. Churros, churrascos, doces e penduricalhos se repetem de um lado e de outro, no trajeto até a porta da catedral.
Mas aqui fora não é quermesse, como dentro dos muros do terreno da igreja, e a festa é também território de ganhar o pão de cada dia. Afinal, mais do que uma festa religiosa, trata-se também de evento da cidade, que atrai devotos e não devotos também das cidades vizinhas.
O território de uma festa religiosa
O território de uma festa religiosa é o espaço social transformado pela fé. A etnografia estuda esses rituais para entender como a devoção une as pessoas, redesenha os lugares e cria identidades coletivas por meio do trabalho e da celebração compartilhada

Luís da Câmara Cascudo: Pioneiro na coleta de expressões da cultura popular tradicional. A leitura central é Religião no Povo.

Marcel Mauss:
Seu ensaio sobre a Esquematização Geral da Magia e a teoria do dom/dádiva são fundamentais para explicar o mecanismo das “promessas” e das “oferendas”.
